domingo, 31 de maio de 2009

Maria, mãe de todas as mães

"Não és deusa, não és mais que Deus, mas depois de Jesus, o Senhor, neste mundo ninguém foi maior" (Pe. Zezinho)

Tenho a séria impressão que esse trecho da canção é a síntese do conceito popular da figura teológica de Maria de Nazaré, a mãe de Jesus. No seio cultural do nosso povo pobre e humilde, repleto de emoções, não há espaço para questões teológicas no campo de uma Mariologia Tomista e sistemática. Não há um interesse em estudar e defender dogmas. Mas em viver de maneira pura e autentica essa relação com Nossa Senhora.

Nossa pequena reflexão, já aproveitando o mês das mães, é sobre a feição maternal de Maria. Ela é a mãe de Jesus e mãe da Igreja, que forma com o Cristo um só corpo místico. São João, o discípulo amado, aos pés da cruz a recebe como mãe em nome de toda a humanidade.

A pessoa de Maria não pode ser compreendida como um ser fora da realidade, desencarnado do contexto sócio-cultural da sua época e do seu povo. Ela era mãe e dona de casa no sentido mais significativo que esses adjetivos possuem. Todos os dias, Maria colocava a casa em ordem, acompanhava a oração da manhã, apanhava água na fonte, preparava o pão de cada dia, cuidava do filho, servia as refeições, trabalhava no campo e realizava outras tantas atividades do cotidiano. Mas as realizava de maneira singular, com o coração voltado para o "Eterno". Maria é mestra em seu papel de mãe.

Muito importante percebermos que Maria na vida e história da Igreja, Povo de Deus, não é uma figura qualquer, mas sim, como nos diz o teólogo Clodovis Boff: uma figura "central", embora não seja o centro, que é Jesus Cristo. E por isso muitos de nossos irmãos reformados, nos questionam se Maria não desvia de Cristo a atenção dos fies, criando obstáculo a uma devoção Cristocêntrica. Porém a esse respeito transcrevo aqui, uma citação contida no chamado "Manifesto de Dresden", onde alguns teólogos da querida Igreja Luterana afirmam: "O temor de diminuir a glória de Jesus foi a causa de que nas Igrejas Evangélicas, se negassem à Maria a veneração e os louvores devidos. E, entretanto, temos que afirmar que através da justa veneração que aos apóstolos e a ela corresponde, multiplica-se a glória e o louvor ao Senhor, porque foi Ele que a elegeu (e a fez) pela Sua Graça um instrumento seu".

A bem-aventurada Virgem Maria viveu como vive a maioria do povo. Partilhou as humildes realidades de vida de milhões. Quantas "Marias" não temos espalhadas por esse mundo? Eu tenho uma na minha casa e creio que vocês também. O conhecido mariólogo René Laurentin nos diz: "Os privilégios de Nossa Senhora situam-se no interior da condição comum dos homens no que ela tem de mais humilde e de mais modesto". Que durante esses dias, em que comemoramos o mês das mães, possamos voltar nosso olhar a Mãe de todas as mães. E aprendermos dela o testemunho vivenciado no dia-a-dia.

Elder Henrique S. R. de Melo

Retirado do site da I.C.A.B. (www.igrejabrasileira.com.br)

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